×

Entrevista: Lucca Bragança, escritor

Entrevista: Lucca Bragança, escritor

1. Lucca, é um prazer tê-lo conosco hoje. Pode nos contar o que o inspirou a escrever “Super-Ação – O Poder dos Sentidos” e por que você escolheu o autismo como tema central de sua obra?

Obrigado pela entrevista. A ideia do livro aconteceu quando minha professora de português pediu em sala de aula que a gente observasse as pessoas e situações ao nosso redor e inventasse histórias sobre o que descobrimos. Foi quando percebi que um amiguinho de turma que é autista sofria muito com a aceitação do resto dos alunos. Eu pensei: por que a situação dele é sempre vista como um problema? Como para lidar com o dia a dia ele acaba tendo que usar muito mais dos seus cinco sentidos que a maioria de nós, eu disse ‘E se esse contato com os sentidos humanos que são visão, audição, olfato, tato e paladar ele conseguisse desenvolver super-poderes? Assim ninguém mais acharia que o autismo do meu amigo é uma coisa que precisa ser corrigida, mas que é algo que faz parte de quem ele é. Aí eu pedi ao meu pai para me ajudar a pesquisar mais sobre o tema e decidi criar um personagem que era um super-herói autista que se tornava um grande astro do futebol através dos seus poderes especiais. Eu acho que Deus criou cada um de um jeito por um motivo. Não tem nada de errado em ser diferente.

2. Como você acredita que sua experiência pessoal ou profissional tenha influenciado a criação do personagem Kevin e sua jornada no livro?

Acho que meu contato com meu amiguinho autista me deu a inspiração para falar desse universo que muita gente não conhece ou tem preconceito para aceitar.

3. Super-Ação – O Poder dos Sentidos” destaca a importância da inclusão e celebração da diversidade. Como você espera que seu livro contribua para essas questões na sociedade atual?

Se meu livro ajudar a mudar como muita gente vê pessoas com necessidades especiais será algo muito bom. Tomara que sim.

4. Você poderia compartilhar conosco algum momento específico da história de Kevin que reflete suas próprias experiências ou visões sobre o autismo?

Sou um garoto de nove anos que sonha em ser um jogador profissional. Eu faço escolinha de futebol e às vezes acho muito difícil treinar e me empenhar para aprender tudo o que meus professores me explicam. Acho que isso me faz entender um pouco como alguém com autismo deve se sentir com toda pressão do dia a dia.

5. Como você abordou a complexidade do transtorno do espectro autista de uma maneira acessível e compreensível para os leitores, especialmente para aqueles que podem não estar familiarizados com o assunto?

Eu só quis mostrar que todo mundo tem problemas e que podemos enfrentar tudo no mundo se tivermos apoio de quem ama a gente.

6. Em seu livro, Kevin descobre habilidades especiais que o ajudam a superar os desafios do dia a dia. Você acredita que essa abordagem pode inspirar outras pessoas, independentemente de estarem no espectro autista ou não?

Sim, por isso eu quis escrever sobre esse assunto para mostrar um lado positivo da vida. Para mim, as coisas não precisam ser tristes o tempo todo. Também dá para sorrir no meio das dificuldades.

7. “Super-Ação – O Poder dos Sentidos” é sua primeira publicação autoral. Como foi o processo de escrever e publicar seu próprio livro?

Meu pai é jornalista e me ajudou a organizar o livro. Eu tive as ideias, coloquei tudo no papel e ele me deu dicas para melhorar uma coisa e outra. Foi muito legal poder contar com a ajuda dele e da minha mãe na hora de fazer essa história.

8. O Kevin do seu livro, ele gosta de cachorros-quentes ou de sopa de letrinhas?

Cachorros-quentes, com certeza. Ele é igual a mim, nunca diz não para uma comida gostosa!

9. Se o Kevin tivesse que escolher entre voar como um pássaro ou nadar como um peixe, o que você acha que ele escolheria?

Acho que voar. Afinal, que super-herói que não gostaria de voar? Isso faz parte da coisa legal de se ter poderes especiais.

10. Algumas pessoas criticam representações fictícias de transtornos mentais, alegando que elas podem reforçar estereótipos ou simplificar demais questões complexas. Como você responderia a essas críticas em relação ao seu livro?

Tudo que eu fiz foi mostrar que qualquer pessoa – autista ou não – pode vencer seus problemas e conseguir ser o que quiser. Para mim, isso é algo positivo e inspirador.

11. Com o aumento do interesse em narrativas sobre diversidade e inclusão, alguns afirmam que há uma pressão crescente sobre autores para apresentarem grupos minoritários de maneira “correta”. Como você lida com essa pressão e em que medida ela influenciou a criação de “Super-Ação – O Poder dos Sentidos”?

Para dizer a verdade, nem sei bem o que isso significa. Eu somente escrevi sobre algo que achei legal e importante.

12. Como você vê sua carreira evoluindo após o lançamento de “Super-Ação – O Poder dos Sentidos”? Existem novos objetivos ou desafios que você deseja enfrentar no futuro?

Espero que esse seja o primeiro de muitos livros. Inclusive, já tenho até um enredo pronto na cabeça para minha próxima obra: Vai ser uma história sobre uma cidade perfeita, onde ninguém vive borocoxô ou sem esperança. Tudo o que não tem jeito aqui no mundo real, dará certo lá. Tenho até o nome do livro pronto: Luccalândia. Não vejo a hora de botar tudo isso no papel!

Publicar comentário