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<strong>Cantata escrita especialmente para o Coral Paulistano é destaque do Theatro Municipal em setembro</strong>

Cantata escrita especialmente para o Coral Paulistano é destaque do Theatro Municipal em setembro

Composição inédita de André Mehmari criada especialmente para o coral revisita poemas de Cruz e Sousa junto a clarineta e piano 

Foto: Rafael Salvador

A sala de espetáculos do Theatro Municipal volta seus holofotes para o canto coral com uma obra inédita e atual composta especialmente para ele, de autoria de André Mehmari. O espetáculo intitulado “Cantata: André Mehmari e Coral Paulistano” apresenta uma cantata sobre poemas de Cruz e Sousa para coro SATB (soprano, contralto, tenor, baixo), piano e clarineta. É um trabalho composto em nove partes, especialmente para o corpo artístico do Theatro Municipal e homenageia, musicando alguns de seus textos, o poeta simbolista brasileiro que viveu entre 1861 e 1898. Além do coral paulistano, participa do espetáculo a clarinetista Paula Pires. 

Maior incursão de Mehmari pelo território coral até o momento, a obra é composta por movimentos intimistas camerísticos que enfocam solistas vocais. Esses momentos são alternados por outros nos quais a escrita para coral é mais densa. A parte do piano serve como apoio ao coro mais do que como solista, embora algumas liberdades criativas sejam a ele permitidas –  como no contínuo de uma peça barroca. A clarineta, rica sonoramente, além de generosa em sua tessitura e gama dinâmica, passeia e sobrevoa todo  discurso musical, fazendo comentários complementares,  como uma supervoz extra-coro, expandindo sua paleta de cores e gestos. “Por vezes, em conjunto com o piano, ela atua como uma pequena orquestra que responde ao afeto do texto”, pontua Mehmari.

Considerado o precursor do simbolismo no Brasil, o poeta Cruz e Sousa nasceu de escravos alforriados na atual Florianópolis e teve uma educação privilegiada, demonstrando desde cedo um talento para as letras. Sobre a iniciativa de trabalhar com seus poemas, Mehmari lembra que chegou a cogitar trabalhar na língua Tupy ou passando por variados idiomas e dialetos – ideias que não descartou como possibilidades para obras vindouras. Mas conta que a iniciativa de se aproximar à obra do poeta veio (em consonância com o universo onírico dos simbolistas) de um sonho com o próprio. “Imediatamente me veio a fagulha inicial da composição com o belíssimo poema simbolista Anima Mea”, diz. 

Além deste, outros oito poemas integram a obra vocal de larga escala, que conta com aproximadamente 50 minutos. Sobre o desafio de integrá-los, o compositor explica: “Vários foram os desafios para criar um arco expressivo utilizando textos que embora sejam do mesmo autor, apresentam afetos, cores e caminhos bem diversos entre si. Gosto de perceber como os textos dialogam entre si e se complementam’”, diz.

Maíra Ferreira, regente titular do Coral Paulistano do Theatro Municipal de São Paulo explica que o desejo do coral de trabalhar com André Mehmari é ainda anterior à pandemia e se deve ao fato de ser esse artista, compositor e pianista único. “Desde que assumi o Coral Paulistano pensei muito sobre a vocação do coral de fazer a música brasileira e mundial, sem esquecer que somos um coral que foi criado pelo Mário de Andrade lá atrás para valorizar e interpretar esse repertório. Ao celebrar os 100 anos da semana, a gente precisa pensar a música que está sendo feita hoje. E o André a representa brilhantemente“, atesta a regente. 

E completa: “O que me encanta na obra dele é que ele une o melhor da tradição brasileira com o melhor das influências de diversas tradições, como a francesa, isso tudo da forma mais natural possível, graças a sua formação consistente e muito eclética somada, claro, a seu talento. O Coral Paulistano se alegra de estar nesse lugar de trânsito por estilos no qual o Mehmari tem fluência. É muito bonito que eles se encontrem nesse momento de suas vidas artísticas, o Mehmari sendo esse artista que vai do simples ao complexo e que representa a música brasileira e a poesia brasileira, no caso do Cruz e Sousa, um poeta negro de quem ainda não se fala o suficiente. É, de alguma maneira, resgatar os melhores valores da semana de 22 e adaptá-los à nossa realidade”, completa.

Serviço:
“Cantata sobre poemas de Cruz e Sousa para coro SATB, piano e clarineta (50′)”
Sala de Espetáculos do Theatro Municipal
17 e 18/9, às 17h

CORAL PAULISTANO
Maíra Ferreira, regência
André Mehmari, piano
Paula Pires, clarinete

Programa:
ANDRÉ MEHMARI
I. Anima Mea
II. Na Luz
III. Voz Fugitiva
IV. Acrobata da For
V. Velho
VI. Aparição
VII. Coração Confiante
VIII. Inefável
IX. Livre: Asas abertas

Classificação livre
Duração aproximadamente 50 minutos
Ingressos R$ 10 a R$ 30 (inteira)

SOBRE O COMPLEXO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO

O Theatro Municipal de São Paulo é um equipamento da Prefeitura da Cidade de São Paulo ligado à Secretaria Municipal de Cultura e à Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

O edifício do Theatro Municipal de São Paulo, assinado pelo escritório Ramos de Azevedo em colaboração com os italianos Claudio Rossi e Domiziano Rossi, foi inaugurado em 12 de setembro de 1911. Trata-se de um edifício histórico, patrimônio tombado, intrinsecamente ligado ao aperfeiçoamento da música, da dança e da ópera no Brasil. O Theatro Municipal de São Paulo abrange um importante patrimônio arquitetônico, corpos artísticos permanentes e é vocacionado à ópera, à música sinfônica orquestral e coral, à dança contemporânea e aberto a múltiplas linguagens conectadas com o mundo atual (teatro, cinema, literatura, música contemporânea, moda, música popular, outras linguagens do corpo, dentre outras). Oferece diversidade de programação e busca atrair um público variado.

Além do edifício do Theatro, o Complexo Theatro Municipal também conta com o edifício da Praça das Artes, concebido para ser sede dos Corpos Artísticos e da Escola de Dança e da Escola Municipal de Música de São Paulo.

Sua concepção teve como premissa desenhar uma área que abraçasse o antigo prédio tombado do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e que constituísse um edifício moderno e uma praça aberta ao público que circula na área.

Inaugurado em dezembro de 2012 em uma área de 29 mil m², o projeto vencedor dos prêmios APCA e ICON AWARDS é resultado da parceria do arquiteto Marcos Cartum (Núcleo de Projetos de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura) com o escritório paulistano Brasil Arquitetura, de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz.

SOBRE A SUSTENIDOS

A Sustenidos é a organização responsável pela gestão do Conservatório Dramático e Musical de Tatuí e do Theatro Municipal de São Paulo, dos programas Musicou, Som na Estrada, e MOVE (Musicians and Organizers Volunteer Exchange); e pelos festivais Ethno Brazil e Imagine. Foi responsável pela gestão do Projeto Guri, programa de ensino musical, no litoral e no interior do Estado de São Paulo, incluindo os polos da Fundação CASA, de 2004 a 2021. Além do Governo de São Paulo, a Sustenidos, eleita a Melhor ONG de Cultura de 2018, conta com o apoio de prefeituras, organizações sociais, empresas e pessoas físicas. Instituições interessadas em investir na Sustenidos, contribuindo para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, têm suporte fiscal da Lei Federal de Incentivo à Cultura e do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FUMCAD). Pessoas físicas também podem ajudar. Saiba como contribuir no site da Sustenidos. 

Patrocinadores e apoiadores do Theatro Municipal de São Paulo – Sustenidos: Nubank, Bradesco e Visa

Patrocinadores Institucionais da Sustenidos: Microsoft e VISA

Patrocinador do Projeto Municipal Circula: Nubank

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