Enzo Peixoto, jovem escritor do Maranhão, reflete sobre sua trajetória literária, marcada pela ideia de continuidade e pertencimento. Em seu livro Declaro-me: O Sopro das Rosas, ele transforma experiências pessoais em uma voz coletiva que ressoa além do local, buscando construir pontes entre o Maranhão e o Brasil. Nesta entrevista, Enzo fala sobre sua escrita, influências, novas obras e o papel da poesia para cultivar sensibilidade e amor.
“Num gesto de esperança, palavra a palavra. Continuar a escrever é abrir espaços para novas trajetórias, tanto minhas quanto de quem me lê. Penso nisso pela presença do meu avô, escritor por toda a vida.”
“Talvez não haja equilíbrio exato. No poema ‘Por tudo, em tudo, ausência’ falo da interdependência do mundo e das pessoas — completos apesar das ausências. Buscamos o coletivo no personalismo, o que torna as experiências únicas em vozes mais coletivas e intensas. É uma construção pelo tempo.”
“Não é um desafio como meta, mas uma perspectiva. Os dilemas maranhenses fazem parte do contexto maior nacional. Meus poemas e textos traçam essa ponte, sem ignorar vivências locais. É uma alegria que minhas palavras cheguem cada vez mais longe.”
“O interesse pelo indefeso, o sutil, as forças do cotidiano e da natureza. Ele me ensinou que palavras só são sérias quando soam leves. É essa esperança amorosa e terna que busco expressar — e para isso é preciso coragem.”
“Muitas vozes: pessoas com nome ou sem nome, sentimentos medrosos e corajosos, angústias, paixões, fraternidade e até mesquinharias. Escuto os outros ouvindo a mim mesmo.”
“É bonito ver meus livros como sementes de amor plantadas. Já recebi relatos marcantes, como uma leitora que viajava de Belém a Salvador com meu livro, e outra do Paraná que me chamou de seu escritor favorito vivo. Também um desconhecido que leu para minha mãe sem saber nosso parentesco. Cada leitor é uma experiência iluminada e única.”
“Um livro simples na estrutura e linguagem, mas intenso. Os contos capturam instantes cotidianos, suspendendo o tempo para explorar vida popular e pessoal. Há continuidade com Declaro-me, na dicotomia entre o dito e o escutado, o escrito e o falado.”
“Saber ouvir. Escolher palavras com honestidade, construindo pontes de diálogo nas verdades dos outros. A escrita amadurece e amplia o olhar sobre o mundo.”
“Progressiva e diversa, com dizeres próprios. Tenho conhecido muitos autores contemporâneos, o que tem sido uma troca muito construtiva.”
“Espero semear amor, para que mesmo num mundo cinza, as pessoas tenham esperança e coloquem cor na vida.”
Céus e Pipas
À procura de pipas
em olhos
alheios
é que não
se achará
por certo a cor
do céu
Ps: Para reconhecer o outro, é preciso reconhecer-se.
— Enzo Peixoto, 26/02/2024

